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domingo, 26 de junho de 2011

Gratidão

Muito obrigado.
Por tudo o que você fez e faz pra mim.

domingo, 15 de maio de 2011

Vida Adulta

In the Wee Small Hours of the Night

Friend or Foe?

Nós costumávamos brincar juntos. Nós nos
encontramos a primeira vez na aula. E foi amor
de cara.

Você era livre. Era rebelde. Era linda.
Era sábia
Era muita esperta.

Mas principalmente: Você era jovem!
Como das que é raro encontrar.

Você não era jovem pela idade, pela beleza
ou pela mentalidade.

Você era jovem de espírito. Mas a vida
adulta
parece estar mudando isso. Mas pra pior.

Trabalhar, construir nossa independência
financeira é importante. Buscar crescer e
acumular títulos também pode ser muito
importante. Ainda mais aqui, onde estamos.

Mas fazer isso tudo pode ser difícil.
E às vezes danoso. E até assustador.
Se sua família não tiver como, você terá de
conseguir essas coisas sozinha (o).
E conseguir essas coisas sem ajuda familiar
é bem difícil.

Às vezes conseguimos grandes coisas com a
ajuda que recebemos. Mesmo ela sendo pouca
em diversas situações. E daí descobrimos que
o principal responsável pelo nosso sucesso
somos nós mesmos. E é aí que nos
descobrimos afetivamente independentes.

Precisamos sim do amor e carinho dos outros
mas já não dependemos do amor e carinho
daqueles que nos ajudaram até aqui.

A família de berço quando faz bem o seu papel nos
habilita a encontrar meios de prover nosso
próprio sustento. Espiritual e emocionalmente.

E aí podemos buscar e criar meios de nos
sustentarmos materialmente, financeiramente.

Mas nenhum caminhar é perfeito no nosso mundo.
E mesmo tendo sido criados com amor, carinho,
dinheiro, às vezes pouco, e atenção, às vezes
também pouca, começamos a vida adulta com
algumas carências. E tudo bem.

Tudo bem, se dermos atenção a essas carências.
Pode ser muito perigoso achar que porque se
trabalha e se sustenta materialmente, que as
carências vindas do berço não podem maltratar.

Elas maltratam. Ter sobrevivido com elas não é
garantia de uma vida saudável e constantemente
renovada. Isso é, jovem.

Ser adulto e ser jovem é definitivamente a coisa
mais difícil que eu venho fazendo. Pra mim, é
preciso renascer constantemente. E isso demanda
muita energia.

E quando há carências desassistidas dentro da
gente, às vezes fica humanamente impossível se
renovar. E por isso, muita gente mas muita gente
mesmo envelhece ao invés de crescer.

Talvez por nos vermos "dando conta" de tanta
coisa nos sentimos adultos. E esquecemos que
sempre fomos. Esquecemos o que é ser adulto
pra gente e passamos a acreditar que ser adulto
é ter o emprego. Viajar de férias. Ter
conta pra pagar.

Com os anos, se não tomamos cuidados com a parte
de nós que saiu da casa "dos pais" carente,
começamos a envelhecer. E o fato de tanta gente
no mundo não dar conta e fazer isso com
naturalidade não quer dizer que seja bom, ou
que esteja certo.

Pior ainda: Podemos achar que não tem jeito. Que
essa é a Vida. E que o melhor que podemos fazer
é darmos tudo de nós pra fazermos um mundo
melhor. E é aí que começamos a morrer.

Aquelas carências desassistidas tendem a ficar
inquietas, pois são feridas abertas. E isso pode
nos consumir. É ótimo pra quem quer morrer sem
pressa, pois leva muiiito tempo pra nos matar.
E pra mim é a pior forma de morte que existe.

Como não achamos que "tem jeito", inventamos o que
podemos pra ignorar as feridas. Nos entorpecemos
com cada droga legal em que podemos por as mãos
(e há quem, conscientemente ou não busque as
ilegais. E como há.) pra tentar não sentir
aquela dor. Uma dor que não cresce, nem diminui,
nem passa.

E daí compramos, vendemos, trabalhamos, e
estudamos mais do que jamais fizemos. Muito mais
do que quando éramos adultos e não precisávamos
de nada disso.

Uma das piores dores e também uma das mais
perigosas é exatamente a que não passa nem muda,
pois ela toma muita energia. Exatamente a
energia necessária pra renovarmos o que nos
manteria jovens.

Se tivermos sorte, essa dor fica inteligente com
toda a energia que toma da gente. E se
materializa e se externa. Não é pra assustar.
Não é pra punir. Não é de sacanagem.
É pra cuidar.

A nossa Vida, a verdadeira, nos dá muitas chances
de olharmos essa dor. De darmos atenção às
feridas. Tão antigas...

Mas tantos de nós ficamos viciados em fugir da
dor dessas feridas que quanto mais a VIDA nos
mostra essas feridas, mais fugimos. Ou então,
já estamos tão entorpecidos com nossas drogas
e vícios, que nem vemos.

Eu soube muito cedo que ser adulto era ser
responsável pela própria VIDA. E responder por
si mesmo não exige emprego, férias nem conta
pra pagar.

Aparentemente muito cedo, eu aprendi que ser
adulto é ter consciência sobre os próprios
sentimentos. E evitar ao máximo responsabilizar os
outros por eles. O que sentimos é nosso e de
mais ninguém.

E bem mais que isso. Ser adulto sempre foi
entender que o que me afeta, afeta a quem amo,
e afeta a quem me ama.

Ser adulto sempre foi poder perceber que o que
afeta quem eu amo também me afeta. Mas não é
minha responsabilidade.

Lidar com quem se ama pode ser bem difícil, pois
percebendo ou não que suas feridas não
cuidadas estão tomando demais sua energia
ficamos à mercê de suas dores. Ser adulto também
é saber e aceitar isso.

Aceitar isso com consciência dos próprios
sentimentos e responsabilidade sobre si mesmo pode
implicar na necessidade de fazer algo.

Tem gente que se afasta de quem ama. Tem gente
que briga. Tem gente que julga. Tem gente que
conversa num tom calmo e dessa forma mesmo briga,
se afasta, ou julga.

Aprender a amar pode mesmo ser difícil. Pode mesmo
ser complicado. Mas é fundamental quando se é
adulto. Quando se é crescido.

Mas então o que fazer com a dor do outro que nos
fere? Se a dor é DO OUTRO, a resposta pra um
adulto é óbvio: Nada.

Mas então o que fazer pra dor do outro não me
ferir? Se a dor é DO OUTRO, a resposta pra um
adulto também é óbvio: Conversar.

Entrar em contato com O OUTRO, e deixar de lado
a sua dor, por UM instante. E ao se conscientizar
da dor do outro, talvez fazer algo a respeito.

E se a dor do outro for demais pra mim?
Então é necessário se proteger. Se for possível,
deixar claro que não se pode ajudar sozinho.

E como me proteger?
Pra isso, existem psicólogos, padres, melhores
amigos... Se a dor for grande demais pra você,
ou pro outro, a resposta pra um adulto é obvia:
Recorrer à ajuda de tantos facilitadores quanto
possível.

Conversar com um amigo outro, com uma
figura espiritualizada, com um psicólogo em quem
se confia, ou de quem se gosta são algumas
opções. E até uma nutricionista pode ajudar.

Um adulto sabe que não dá conta de tudo, ou sempre,
sozinho.

E se a gente não sabe disso. É hora de parar de
se iludir sobre ser adulto. Não importam quantos
trabalhos, obrigações ou ambições tenhamos.

Ser adulto é cuidar. Em primeiro lugar de si.
E daí pode-se ser
do Mundo. E dele também cuidar.

Jovem, responsável, rebelde, linda, esperta,
amorosa, consciente, limitada, gentil, paciente,
sábia, corajosa.

Adulta